terça-feira, 30 de novembro de 2010

Palavrão


Hahaha! Quanto constrangimento! Pois é. Tem quem defenda que o palavrão seja uma transgressão da língua. Outros citam pesquisas que associam palavrão e alívio do estresse. Ao escolher a imagem do post, fiquei em dúvida entre minha veia puritana - que escolheu um desenho de um menino dizendo cobras e lagartos - e a minha autenticidade, que de cara pensou na Dercy Gonçalves. Ela, um mito nacional, é a musa do baixo palavreado. Foi o meu primeiro link, em neon. Confesso que com certa vergonha, mas não pude deixar de colocar a Dercy em ação, que Deus a tenha.

O palavrão - acreditem! - é um tema muito recorrente nos blogs. E eu achando que estava na vanguarda. Hahahaha... Que nada. Todo mundo usa, é mais comum que as havaianas. Aliás, pensando bem, se a Dercy viveu tanto e disse tanto nome feio, talvez eles tenham de fato alguma relação.

Não concordo que o palavrão seja uma transgressão da língua. Ao contrário, faz parte da língua. Tem usos e significados próprios, só é vulgar. E olha que engraçado, grande parte dos palavrões que me ocorrem agora são, na verdade, palavrinhas (não preciso citar, né). Arrisco dizer que o palavrão está para a língua tal qual as chamadas "minorias" para a sociedade. Habitam o mesmo espaço, mas em níveis paralelos. Podem existir, desde que subjugados ao certo.

Sinceramente, às vezes um palavrão chega a ser essencial. Usado com moderação, sim. Mas isso até as mais rebuscadas palavras que restaram do latim. Não é obrigatoriamente uma afronta à ordem. Pode ser apenas um desabafo, um banho de descarrego ou até mesmo uma comemoração: "puta que pariu! Ganhei!".

O curioso é que, apesar da sua imensa popularidade, o palavrão ainda é muito mal visto. Ele não tem liberdade para circular em qualquer ambiente, muito menos em qualquer boca. A menos que você seja muito cool. Nesse caso, todas as excentricidades também estão permitidas. É como uma licença poética. Essa é a exceção. Se você não se enquadra nesse perfil, não é um blogueiro escrachado, não é comediante, não é astro do rock, conforme-se. O palavrão pode até ser remédio, mas vai causar uma impressão negativa. Afinal, não fica bem uma moça falar esse tipo de coisa. Hahahaha.

A questão é que os tempos estão mudando. Pasmem. A Sandy confessou que fala palavrão. Não só isso. Escreveu, editou e publicou um "c#up@, Maradona". É sério, a Sandy. Depois ratificou em entrevistas. Vou agradecer: obrigada, querida. Se você, que personifica a imagem mais doce, ingênua, casta, pura, feminina e tradiconal de uma mulher, disse essa vulgaridade, eu e as outras poderemos dizer qualquer coisa daqui pra frente. Foda-se.



 

2 comentários:

  1. Adorei o c#up@! Claro que faltou você citar os jogadores de futebol, durante a atividade, pois a Arena clássica do palavreado chulo é o campo da peladinha ou o estádio de futebol. Não me esqueço do Inter 2x1 do Palmeiras em que um simpático pimpolho elogiou a atuação do homem de preto (que hoje usa amarelo, verde, rosa...) com impropérios que eu sequer conhecia.
    Beijoca! Te amo!

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  2. Bem lembrado. No campo de futebol o palavrão é a língua oficial. =]

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