segunda-feira, 29 de novembro de 2010

PAZ


A paz, por incrível que pareça, está em alta. Surpreende porque não parece haver muito espaço para ela. E me refiro aos nossos dois mundos: o exterior e o interior. A violência impera. A paz, ao contrário da violência, é muito mais uma não ação. Não somos educados para isso. Somos treinados para fazer, acontecer, ganhar.

A paz interior é fruto da aceitação, da tolerância. Não adianta tentarmos as técnicas do bope para exterminar nossos sentimentos e pensamentos. O máximo que conseguiremos será uma ou outra doença mental. Talvez um TOC, uma depressão. Sentimos inveja, raiva, medo, nojo. Pensamos coisas erradas, proibidas. Até desejamos o mal (admitam!). Somos humanos. Só encontramos a paz quando paramos de tentar afastar os pensamentos e sentimentos negativos e os aceitamos como parte de nós. Assim eles se acomodam em algum cantinho, aparecem e desaparecem de vez em quando, mas perdem força. Não são ameaças reais, não nos fazem mal, não são prenúncios do apocalipse, ainda que as mensagens de power point insistam em nos fazer acreditar nisso. Por sorte, não temos esse poder.

A paz exterior, essa depende mesmo da negociação. Vivemos em um mundo globalizado, capitalista. Nada de julgamentos de valor aqui. São apenas fatos. Bem clichês, inclusive. É difícil conciliar tantos interesses diversos. A guerra começa quando terminam as palavras.Vivemos numa ilusão de segurança. Só nos preocupamos mesmo com o "mal" quando ele chega na nossa rua, na nossa casa, no vizinho.

Certa vez fui chamada para trabalhar o tema da violência em uma escola municipal de séries iniciais. A diretora, pobre diretora, ficou preocupadíssima com o tema, afinal, na opinião dela, as crianças não sabiam o que era violência. Ela temia chocá-las. Imagina, evidenciar assim, bruscamente, um aspecto horroroso da nossa sociedade. Foi muito complicado, como se pode supor. Lá só havia espaço para orações, abraço dos amigos, todos eram felizes, ninguém sabia o que era problema. Isso, claro, olhando bem de longe, tipo quadro do Monet.

Propus então um projeto sobre o Pequeno Príncipe, pra amenizar a tensão da diretora. Iniciado o trabalho, lá pelas tantas surgiu a palavra violência. Óbvio. Eram crianças de verdade, que viviam em um mundo de verdade fora da ficção escolar. Bom, pronto. Era o que precisava. Eu não ia tocar diretamente no assunto, diretora, mas já que... (hahahaha!). "Alguém sabe o que é violência?". "Ah, sim professora". "Violência é quando a gente bate no amigo". "Violência é quando o pai briga com a mãe". "Violência é quando roubam as coisas dos outros". Enfim. Que decepção. Infelizmente não era novidade. Diante do nervosismo da alienada diretora, tentei outra abordagem urgente: "alguém sabe alguma coisa sobre paz?". Algum Joazinho respondeu:

"Ah... pás/(paz) a gente precisa pra brincar na areia, professora".

3 comentários:

  1. É isso aí... Give the Peace a Chance! (heheheh)
    Amei o texto! Principalmente a parte do "algum Joazinho".
    Beijão!

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  2. A Paz - Zizi Possi
    A Paz!
    Invadiu o meu coração
    De repente me encheu de paz
    Como se o vento de um tufão
    Arrancasse meus pés do chão
    Onde eu já não
    Me enterro mais...

    A Paz!
    Fez o mar da revolução
    Invadir meu destino
    A Paz!
    Como aquela grande explosão
    Uma bomba sobre o Japão
    Fez nascer o Japão na paz...

    Eu pensei em mim
    Eu pensei em ti
    Eu chorei por nós
    Que contradição
    Só a guerra faz
    Nosso amor em paz...

    Eu vim!
    Vim parar na beira do cais
    Onde a estrada chegou ao fim
    Onde o fim da tarde é lilás
    Onde o mar arrebenta em mim
    O lamento de tantos "ais"...

    Eu pensei em mim
    Eu pensei em ti
    Eu chorei por nós
    Que contradição
    Só a guerra faz
    Nosso amor em paz...

    Eu vim!
    Vim parar na beira do cais
    Onde a estrada chegou ao fim
    Onde o fim da tarde é lilás
    Onde o mar arrebenta em mim
    O lamento de tantos "ais"...

    A Paz!
    Invadiu o meu coração!
    A Paz!
    Fez o mar da revolução!

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  3. Bem... a minha trilha se salvará graças ao Gigante guerreiro Daileon! hehehehe

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