quarta-feira, 8 de dezembro de 2010

Cala a boca!



Passei mais de uma semana sem dormir, sem comer direito, quase sem respirar. Sem pensar. Chorei. Chorei compulsivamente por muitos momentos. Sem comiseração de mim, por favor. Esse é o contexto. Não quero fazer drama. O fato é que depois de tanto, aliás, depois de anos dedicados a amar, educar, conviver e aprender com meus filhos, entro em uma merda duma sorveteria e escuto a única coisa desse mundo que não aceito: uma crítica cuel e injusta pelo meu papel de mãe. 

Meu filho, que aprontou todas hoje, derrubou o copo de bebida após várias advertências da mãe e do pai. Ele rapidamente pediu desculpas. Eu apenas disse: Tudo bem, filho, mas não adianta só pedir desculpas. Você precisa também mudar o seu comportamento. Não gritei, não ameacei. Não bati. Não fiz nada de errado. Sinceramente. Fui o que considero normal. Nem demais e nem de menos. 

Quando meu filho e o pai se levantaram para efetuar o pagamento, a "dona" da sorveteria veio até mim e me entregou um livro de autoajuda sobre como entender a linguagem dos filhos, onde dizia no verso algo sobre a importância de que eles se sentissem amados. Não só o sapo não desceu como por pouco o sorvete não voltou.

Contei até dez. Até cinquenta, pra falar a verdade. Foi o tempo que precisei para sair dali sem mandar que ela guardasse o livro num lugar especial. Cheguei em casa. Senti que não dava pra digerir aquilo. Ela tinha ido muito longe.

Pela primeira vez na vida, eu devolvi o sapo. Se isso tivesse acontecido em qualquer outra circunstância, teria sido apenas mais uma atitude inconveniente que eu deixaria passar. Eu teria relevado. Eu sou assim. Sou uma das pessoas mais abertas a críticas que conheço. Eu realmente aceito de coração aberto. Mas isso não era uma crítica, era uma ofensa.

Como uma pessoa que nunca me viu, que não sabe nada da minha vida, que não me conhece, não convive com a minha família, como pode se sentir no direito de me julgar dessa maneira? Arrogante, mal-educada, narcisista. Tem gente que se acha. A verdade é essa. Tem gente que se acha. Eu conheço um monte de gente que se acha melhor do que os outros como mãe. Tudo bem, cada um com seus problemas. A vida não é uma gincana, uma competição babaca. O que pensam a meu respeito não é da minha conta, mas o que falam pra mim é. E eu, no estado em que estou, não aceito mais.

Voltei lá. Disse quase tudo o que eu queria dizer. Com muito embaraço, porque não sou barraqueira, mas disse boa parte do que precisava dizer. A vontade era de berrar: cala a boca sua idiota. Não. A vontade era de enfiar a mão na orelha. Achei que não valia a cesta básica. Claro que, pelo perfil de pessoa que faz o que ela fez, manteve a pinta e bancou a desentendida. Insistiu em tentar se vender como mãe de um superdotado. Como pessoa culta que leu mais de 500 livros. Sério? Sabe quantos eu li pra chegar até aqui? Não era o caso. Eu estava lá como mãe. Como pessoa. Como cliente.

Não estou orgulhosa. Estou envergonhada de ter passado por essa situação. Eu não merecia. Eu não precisava. Não sou perfeita. Já perdi o controle por vezes, disse coisas num tom que não era pra dizer. Não posso ser julgada só pelas minhas minhas fraquezas. Se tenho uma certeza nessa vida é de que meus filhos sabem que são amados. Porque são. Porque vivemos nossos afetos, demostramos nossos sentimentos. Vivemos em harmonia, respeitamos os outros. Nós não fingimos que o mundo é um faz-de-conta. Nossos filhos sabem que amamos e que também podemos sentir raiva, medo, enfim, sabem que somos de verdade e que eles também são. 

E sabem, principalmente, que o fato de podermos sentir e pensar qualquer coisa não nos dá o direito de fazer ou dizer qualquer coisa. Isso se chama EDUCAÇÃO e não se aprende em livro. 

Falei.   








   

2 comentários:

  1. Lamentável a postura arrogante da cidadã.
    Tem gente que acha que é a "super mãe".
    Em geral, costumam frequentar o Fórum na adolescência dos filhinhos.

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