sábado, 4 de dezembro de 2010

CICLO


Quando tudo que estava ao alcance
Dos olhos cansados se mostrou destruído,
As pernas ainda bambas e sem rumo
Seguiram o seu destino.

O corpo lentamente se refez.
Os pés tocaram o chão.
O dia amanheceu debaixo de um temporal.
Um vento forte passou.

E quando não era mais possível acreditar na vida,
Foi assim que ela surgiu
Num pequeno e frágil broto
Que parecia acordar sem saber de nada do que aconteceu.

Alimentou-se da chuva e do que restou.
Cresceu. Semeou.
Não estava mais só.
Protegeu os seus.
Viveu.

Tornou-se tão grande.
Vislumbrou além.
Pensou ter vivido tudo.
Até que padeceu.

A espera foi longa.
Aos poucos perdeu suas folhas.
Seus galhos. Sua esperança.
Descobriu da vida um tanto mais.
Quando morreu.

Cicatrizada, tempos depois, a terra reergueu
Um novo broto
Que despertou sem o mundo conhecer.
Alimentou-se da chuva e dos restos.
Que o passado para ele guardou.

Um comentário:

  1. E assim é a vida, e as "vidas" que vivemos durante nossa existência terrena.

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