quinta-feira, 9 de dezembro de 2010

The Mirror



Não conheço uma pessoa igual a outra. Alguns até se parecem, mas fica nisso. Então, se somos diferentes, ou melhor, únicos, como podemos estabelecer julgamentos de valor sobre os outros? Em quais critérios pautamos nossas avaliações? 

Tenho a impressão de que ilusoriamente agrupamos os outros por características afins. Sim. Escolhemos um aspecto que pensamos saber sobre cada um e assim organizamos as pessoas em nosso universo cognitivo. Classificamos os grupos e os membros dentro dos seus grupos, a partir do protótipo.  Até aí tudo bem. Esse é um dos mecanismos que naturalmente usamos para conhecer o mundo.

O problema começa quando nos autorizamos a atribuir valor. O feio e o bonito. O chato e o legal. O certo e o errado. Nada demais, não é? Afinal, temos as nossas preferências. Só que preferir implica em preterir. E ser preterido não é lá muito agradável.

Não importa quantas pessoas nos amem. Ser rejeitado dói. Sei lá... A mim, dói. Posso não levar tanto em consideração, posso ignorar quem me deixa de lado. Posso suportar, não sem pesar. Receber o desprezo alheio nos expõe. Projeta os nossos pequenos defeitos em dimensões maiores, desproporcionais. Aos olhos dos outros, deixamos de ser QUEM somos para ser O QUE pensam que somos.

A primeira ideia que pode nos ocorrer é a de que não somos suficientemente bons. Todos temos as nossas inseguranças. Ficamos envergonhados, encolhidos. Sofremos. É duro não ser aceito. Tentamos entender por que diabos não gostam de nós, se não fizemos nada de mal. O que há? Refletimos.

Às vezes, acreditamos. Acabamos por nos convencer. Quanta tristeza. Quanta pobreza nos resumirmos a tão distorcido "pouco". Não dá pra ser assim. Mal paramos para observar que em determinados grupos não teria razão tentarmos nos incluir. Não precisamos ser unanimidade.

O fato é que também não gostamos de todo mundo. Nós nos reservamos esse direito. Não podemos nos obrigar a gostar, porém esse é um problema nosso. Não do outro. Somos ora espelhos, ora reflexos. Nós nos enxergamos no outro. Podemos atribuir a ele o que não queremos admitir em nós. Fica bem mais fácil, quando é o máximo que dá pra fazer.

 Lembre-se: tudo o que pensamos sobre os outros revela também algo sobre nós.

Deixo então um apelo: vamos primar pela delicadeza. Com todo o respeito.

Um comentário:

  1. Ótimo texto! Lembrou-me uma música que amo!

    EVERY STRANGER'S EYES
    Roger Waters


    In truck stops and hamburger joints
    In Cadilllac limousines
    In the company of has-beens
    In bent-backs in sleeping forms
    On pavement steps
    In libraries and railway stations
    In books and banks
    In the pages of history
    In sucidal cavalry attacks
    I recognise...
    Myself in every stranger's eyes

    And in wheelchairs by monuments
    Under tube trains in commuter accidents
    In council care and countrucourts
    At Easter fairs in sea-side resorts
    In drawing rooms and city morgues
    In award winning photographs
    Of life rafts in the China seas
    In transit camps, under arc lamps
    On loading ramps
    In faces blurred by rubber stamps
    I recognise...
    Myself in every stranger's eyes

    And now from where I stand
    Upon this hill plundered from the pool
    I look around, I search the skies
    I shade my eyes, so nearly blind
    And I see signs of half remembered days
    I hear bells that chime in strange familiar ways
    I recognise...
    The hope you kindle in your eyes

    It's oh so easy now
    As we lie here in the dark
    Nothing interferes it's obvious
    How to beat the tears
    That threaten to snuff out
    The spark of you love

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