sexta-feira, 17 de dezembro de 2010

Pedido



Um pedido é algo que a gente faz a alguém quando deseja ou precisa de alguma coisa. Parece muito simples. Não é. Pense em como é pedir dinheiro emprestado, por exemplo. Tente talvez pedir um aumento, pra ver que embaraço. Dependendo do caso, até pedir uma informação pode ser complicado. Pedir é difícil porque nos coloca na mão do outro. 

O que dizer então de um dos mais temidos pedidos de todos os tempos: o de casamento. Como se deve pedir alguém em casamento? O ritual costuma variar de acordo com a cultura dos povos, mas sofre alterações também com o passar de gerações.

Na época da vovó, pra não precisar ir tão longe, o vovô (depois de mais ou menos um ano e pouco de namoro no sofá, às quarta-feiras, com a tia da vovó no meio) precisava pedir que seu pai marcasse com o pai da futura esposa a data do noivado. Promoviam um evento familiar, uma festa em casa, onde o jovem vovozinho, nervoso, pedia ao temido sogrão a famosa mão da senhorita vovó em casamento, na presença de toda a parentada dos dois lados. O pretendente oferecia a ela um anel de noivado - quanto mais precioso melhor - e eles marcavam um dia para o casório, que deveria ter no mínimo uns seis meses de prazo, para evitar comentários de uma possível gravidez oculta. Os pais do vovô bancavam o imóvel para os pombinhos (na falta dessa possibilidade, recebiam a nora na casa deles). Os da vovó arcavam com as despesas do enlace. Eram meses de preparativos. Detalhes da festa, enxoval bordado, vestido... 

Tem quem use esse método. Ainda é válido, mas não está tão em voga. O must agora é o casal viajar sozinho para uma temporada no Quênia. O namorado carrega na mochila um supermegahiperanel de noivado que pertenceu a sua mãe princesa e faz um surpresa (previsível) encantadora para a amada, depois de dez anos de relacionamento (com direito a 2 bodas de PVC - é, bodas de tomar o cano, comemoradas após 5 anos de enrolação).

Que nada. Reconheço que para um membro da tradicional monarquia britânica o rapazinho se superou. Enfim. Na vida (não) real, os recursos atuais não permitem tanta pompa. Os casais namoram, moram juntos, moram sozinhos, ficam um pouco pra cá, outro pra lá. Tem de tudo. Na prática não tem mais regra, apesar de ainda haver certos preconceitos na mentalidade das pessoas. 

Ninguém mais tem dinheiro nem tempo nem saco pra tanta história. O anel de noivado foi suprimido, está quase extinto. Os casais escolhem direto as alianças. Raramente os pais se envolvem nesse processo do "acerto" (é claro que depois brigam durante os preparativos para o grande dia). O noivado, se comemorado, fica restrito aos membros mais próximos da família.

Em muitas situações, não se tem propriamente um pedido. Certo dia um olha pro outro, conversam sobre o assunto e decidem se casar. Marcam a data e convidam os seus. Pronto. Contratam uma agência especializada e só precisam aparecer no altar. Prático como comprar comida congelada.

Aos que preferem formalizar um pedido, é impossível que não seja um momento único. Pode ser engraçado, romântico, patético, sei lá. Não é obrigatório pedir em casamento (muito menos se casar), mas quando se quer fazê-lo, convém caprichar. Não é necessário comprar uma jóia cara, programar um jantar requintado ou estar a brindar em Paris (se puder, ótimo, lógico). O que vale de fato é a intenção, é ser coerente. O fundamental é investir em um bocado de ousadia, fazer uma declaração de amor sincera. Despir-se (uau!). Um pouco de criatividade sempre cai bem, mas só um pouco. E é essencial estar convicto - ou convicta, se a mulher resolver arriscar. Ex-noivo (a) é o ó.

Um comentário:

  1. YEEEEESSSSSSSSSSSSSSSSSSSSSSSSS!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!! MY LOVE!!!!!
    IT´S ALL I WHAT, BECAUSE I LOVE YOU.
    "I was born to love you
    With every single beat of my heart
    Yes I was born
    To take care of you
    Every single day of my life"

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