sábado, 15 de janeiro de 2011

Erro





Um erro é, basicamente, algo que não saiu como desejado. Falhou, desandou, faltou, trocou. Tudo o que pode dar certo, em tese, está suscetível ao erro.

Apesar de comum, o erro não costuma ser bem tolerado. Claro. Se pode dar certo, tem que dar certo. Pena que não funciona assim. 

Pra cada erro, no mínimo uma consequência desagradável. Um erro de português invalida um autor diante do leitor crítico. Uma questão errada elimina o jovem que prestou vestibular. Uma palavra equivocada acaba com as chances de um pretendente. Uma roupa errada gera um enorme constrangimento. Um ingrediente errado detona o jantar especial. Uma falha médica pode custar uma vida. Um cálculo mal feito derruba um prédio. Uma escolha errada traz um intenso arrependimento.

O erro serve para atrapalhar a vida da gente. Tem quem o defenda, argumentando que é errando que se aprende. Conta outra. Eu poderia ter aprendido sem errar e não teria passado vergonha. Poderia simplesmente ter feito certo, como era pra ser. Do que adianta aprender depois? Já era. E tem quem não aprenda nem errando, comete um erro atrás do outro.

Deveria existir um bloqueio automático do sistema, capaz de detectar um possível erro e impedir a ação. Em condições não favoráveis, receberíamos um alerta semelhante ao "este programa executou uma operação ilegal e será fechado". Quanto nos seria poupado. Aprenderíamos, certamente. Ao menos tentaríamos de outro jeito, sem grandes estragos, até acertar. Teríamos a possibilidade de perguntar ao revendedor uma alternativa apropriada.

Poderíamos receber uma mensagem de confirmação. "Você tem certeza de que deseja enviar essa mensagem?", perguntaria o sistema, oferencendo-nos a oportunidade de não apertar o "enter" impulsivamente. Sim, seria um procedimento moroso, mas às vezes esperamos tanto por qualquer coisa. Ao menos seria seguro. Pra quem não tivesse paciência, bastaria desativar a configuração (não recomendado pelo servidor).

Nunca me esqueço de uma pessoa que foi a um velório e disse para a viúva "meus parabéns!" ao invés de "meus pesâmes". O que fazer? Aaaaaaaaaaaaaaaaaaaaaaaaaaaaaaa! Aproveita e morre, né...

Não adianta recorrer ao consolo do "todo mundo erra". É verdade, todo mundo erra. Talvez por isso todo mundo tenha também o prazer sádico de condenar o erro dos outros. Alguns erros são imperdoáveis, irremediáveis, incompatíveis com a sobrevivência. Nossa imperfeição nos desmoraliza. 

O único meio de defesa é a distância. Quanto menos sabemos sobre uma pessoa, mais a admiramos. Julgamos os próximos, carregamos nas tintas. Valorizamos em demasia os fracassos e consideramos os acertos nada mais do que a obrigação. Salvo estejamos apaixonados, o que também é uma forma de distanciamento da realidade, passamos o nosso crivo com a rigidez de uma governanta alemã.

O medo de errar nos paralisa. Deixamos de fazer, de sonhar, de amar, de investir. Deixamos de viver por medo da reprovação social ou do prejuízo pessoal. Trocamos um erro por outro. 

 

Um comentário:

  1. Bah... tinha escrito um comentário enorme, mas deu erro na hora de enviar, hehehehe

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