quarta-feira, 5 de janeiro de 2011

Férias



Período do ano em que as pessoas trocam seus compromissos habituais por outros. Sim. Tem gente que diz que até consegue não fazer nada. Não é o meu caso nem o da maioria que conheço. Quando chegam as tão sonhadas férias, sempre tem um trabalho atrasado, uma reforma, uma cirurgia, uma pendência que ficou ao longo do ano. O pior: você precisa resolver um monte de coisas e o mundo todo parece ter parado. Os fornecedores não entregam mercadorias no prazo, o trânsito não flui, o responsável nunca está, tudo leva o dobro de tempo. Sem contar que a filharada está de folga, cheia de energia. O que deixamos para fazer nas férias até estressa mais do que o trabalho. Não é por acaso que postergamos a tarefa.

Se você mora na praia, sinto muito. É a época em que os parentes "baixam" em peso. No mais puro espírito de não fazer nada. Afinal, eles estão de férias. Usam todas as suas toalhas, comem toda a sua comida, produzem muito lixo e barulho, espalham areia, sentem-se em casa, como você fez questão de estimular. Que maravilha.

Para aqueles que decidem viajar - primeiro passo para escapar da armadilha do mau uso das férias - os riscos também existem. Se o destino for o litoral brasileiro, bem, as encrencas todos os veranistas conhecem. Falta água, sobra incomodação. Principalmente para quem mantém imóvel e só frequenta uma vez por ano. Hahahaha. O cara sai todo faceiro da cidade, certo de que vai começar a diversão. O coitado não cansa de se iludir. Arruma o carro, carrega praticamente uma mudança. Chega lá, o mato tomou conta do pátio, os eletrodomésticos (se não tiverem sido furtados) não funcionam, os dois primeiros dias (que são de muito sol) são para cortar a grama e fazer a faxina. Depois só chove. Viva o baralho.

Vamos tentar então um pacote turístico. Não, não. Melhor não. Guia de excursão é mais chato do que chefe de cerimonial de casamento e ainda assim tem algum turista mala que atrasa todos os passeios. Você tem quinze minutos pra curtir os seus interesses e precisa esperar duas horas para acabar o resto dos programas. Fora as musiquinhas animadas do ônibus - "... ia, ia, ou...".

Quem sabe uns dias no campo, pra relaxar. Tudo muito rústico, primeira atividade - ordenha - às 5 da manhã, pescaria, insetos mil e aranhas gigantes no seu chalezinho. Difícil pra quem está naturalizado no ambiente tipicamente urbano.

No fim, sentimos falta da vida cotidiana, contamos os últimos dias para que as férias acabem. Engraçado como a gente esquece logo. Que contradição. Ao final do primeiro expediente no escritório, suspiramos com saudades de "não fazer nada". Acho que é porque a gente nunca descansa de verdade.

Um comentário:

  1. Apesar de tudo, ainda prefiro fazer este monte de coisas, hehehehe
    Pelos menos não tem horário de audiência...
    Voltar a "não fazer nada", só daqui uns 20 anos... e isto antes de os netos chegarem, hahahaha

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