quinta-feira, 17 de fevereiro de 2011

Correntes


Liberta-me
Das dores e das alegrias
Dos ódios e dos amores
Que fazem minha terra tremer.

Liberta-me
Porque estou desabado
Sou um escravo sem serventia
Sou um traidor.

Liberta-me
Dos meus pecados e das minhas benevolências
Do que acredito e do que não sei.

Liberta-me
Porque sou um sonho vão
Sou um velho fio de adaga
A mastigar a própria carne.

Liberta-me
Dos meus pensamentos indecentes
Dos meus desejos impuros
Das minhas íntimas lembranças.

Liberta-me
Porque sou uma sombra
Sou o espectro do homem que deveria ser
E sou só.

Liberta-me
Da desgraça e da fortuna
Das expectativas e das lamentações
Daquilo que não posso ter.

Liberta-me
Que não sou digno de abrigo
Porque não valho um tostão
E não me reconheço.

Liberta-me
De tudo o que sou
Do que fui e do que jamais me tornarei.

Solta-me das correntes.
Para que então eu possa
Viver.

Um comentário:

  1. Libertas
    Sagrado Coração da Terra
    Composição: Marcus Viana

    Como é difícil cantar o sublime
    Num País de miséria e prosperidade
    Se em nossas ruas crianças são bichos
    Como falar da Mãe Liberdade?

    Quantas vezes mais teremos que morrer pela utopia.
    Mártires do grande sonho humano:
    A comunhão, a tribo, o amor, o pão, a liberdade.

    Me diz quem é livre e senhor de si mesmo.
    Quem não é escravo de suas paixões.
    Quem domina sua mente e seus medos.
    No voragem de fogo dos corações.

    Na febre das grandes cidades
    Quem não sofre o jgo e arrasta grilhões
    Com o peso da dor da humanindade
    Quem não chora perdido na noite?

    Alguém nos falou da liberdade: Olhai os lírios do campo
    e as aves do céu; Não semeiam nem fiam; Escutai seu canto.
    No coração da amazônia, nas cavernas do himalaia
    O curumim e o sábio sabem andar no fio da navalha.
    Liberdade - Só esses podem chamar teu nome
    Abre as asas sobre nós e mata nossa fome.
    Como pode o teu Mundo nascer
    Se o velho Homem em nós não morrer?
    Sê nossa mãe e nossa luz
    Nosso farol, Liberdade ainda que tarde!

    A rosa estrela me diz:
    Já vejo a glória da manhã.
    As águas douradas de aquário vertidas em nós.
    LIBERTAS QUAE SERA TAMEM

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