quarta-feira, 9 de fevereiro de 2011

Melhor amiga



A melhor amiga de uma mulher é uma pessoa (independente do sexo) simplesmente incrível. Ela sabe tudo de tudo; quando não sabe inventa pra nos ajudar. Embarca nas maiores furadas só pra não nos deixar sozinhas. Está ao nosso lado até quando estamos erradas (claro que ela diz que estamos erradas, mas nos defende mesmo assim). Ela é mais do que um parente porque parente a gente não escolhe. A melhor amiga é assim. Um misto da melhor parte de todas as relações e coisas que temos. Ela é fantástica e a vida perde metade da graça quando não a temos por perto.

Pensei e chorei hoje pela falta da minha. Há tempos tenho a sensação absurda e angustiante de que me falta algo, sem saber o quê. Tive uma revelação esta manhã. Estava trocando os canais da tv pra matar um tempo antes das 7:00h e encontrei o filme "O casamento do meu melhor amigo", já passado da metade. Parei para assistir e, como acontece toda vez que eu o assisto, chorei. Não porque ele estava se casando e ela descobriu que era apaixonada por ele tarde demais. Chorei porque eles estavam perdendo o acesso livre à vida um do outro (o que sempre acontece quando a melhor amiga é um homem). Chorei porque outro melhor amigo veio tentar ajudar. Chorei por identificação. Por perceber que não tenho mais acesso livre à vida de nenhuma amiga.

Durante a infância, a adolescência e a juventude tive sempre uma boa companheira (foram nove no total, uma de cada vez). Até a faculdade, mais precisamente. Depois fiz algumas grandes amizades virtuais. Tenho um marido maravilhoso, tenho filhos amáveis, um trabalho autônomo remunerado, tenho os meus familiares próximos vivos, tenho conforto, saúde e posso me permitir um ou outro luxo. Não tenho muito do que reclamar, é verdade. Entretanto, falta uma melhor amiga pra dividir, pra sair da rotina, conversar, visitar, ligar, pra dar umas risadas. E não é só querer ter uma melhor amiga. Tem que acontecer.

Faz um tempo que entrei num processo de rejuvenescimento. Sim, pode rir. Deve ser a crise dos 30, eu sei. Primeiro arranjei um ídolo, o Brandon Flowers. Faltou pouco pra eu colar um pôster no quarto (meu marido não deixou). Fiz um blog/diário. Comecei a acompanhar os seriados da disney, inclusive eu gravo para não perder nenhum capítulo. Aliás, eu dou muita risada assistindo ao Hannah Montana. Adoro a relação dela com a amissíssima Lili. Por mais que seja só uma ficção, eu as invejo, pra ser honesta. 

Agora me deu saudade de ter uma melhor amiga também. Infelizmente, apesar de manter o mesmo sentimento pelas minhas amigas do passado, nossas vidas tomaram rumos tão diferentes que acabamos perdendo um pouco da intimidade, da convivência, do contato. Sinto falta delas. Sinto falta de estar no papel de amiga. Sinto falta de trocar confidências, de almoçar junto, de sair um pouco da minha vida e de tudo o que gira em torno dela, de ter um colo, um sofá fofo em um campo neutro, de comer um bolo e uma geléia que a mãe da amiga preparou para tomarmos um café e falarmos amenidades. Sinto falta de alguém que me dê uma opinião feminina sobre qualquer assunto, que me conte uma piada, uma fofoca, uma indicação de qualquer coisa.     

Sinto falta da lealdade, da cumplicidade, da afinidade, das maluquices, da energia vibrante que existe entre duas melhores amigas. Sinto falta dos filhos da minha melhor amiga, que poderiam vir até a minha casa para brincar com os meus. Sinto falta dessa pessoa que eu não conheço e que existe em algum lugar que eu ainda não sei onde. Sinto falta de ter muitas histórias engraçadas em comum que ninguém mais sabe e que ninguém entende quando começamos a rir.

Amiga, querida, nunca nos vimos e eu conto tanto com você. Um dia estaremos juntas na sua lanchonete favorita e eu poderei lhe dizer que antes de nos encontramos já havia muito de você na minha imaginação. Sua potencial presença em tantos momentos me reconfortou. Espero a sua visita. Não deixe de aparecer.

3 comentários:

  1. Meu amor,
    Achei lindo o post. Tirando a parte do poster no quarto (kakakakaak) infelizmente esse tal de tempo que passa nos traz conquistas, mas também acaba nos afastando de pessoas muito queridas. Espero que nossas andanças pelo mundo nos permitam encontrar novos amigos(as), daqueles que valem a pena compartilhar a vida, um pedaço de um bom bolo com chá... te amo!

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  2. querida Lia...
    me emocionei demais com teu texto!
    [tenho te lido em silêncio - sem grandes comentários ou alardes]
    lembro dos tempos de faculdade e das pequenas cumplicidades que trocávamos... não sei se, naquele tempo, tu me consideravas uma "melhor" amiga... mas tu fazias (e ainda faz - mesmo que na distância e na virtualidade) parte do pequeno e seleto grupo que chamo de amigos.
    a cumplicidade que estabelecemos com uma outra mulher é sempre muito incrível... e entendo a tua angústia frente à esse vazio - também sinto em muitos momentos.
    não posso estar aí... queria realmente poder te dar um grande abraço e demonstrar - muito além de palavras - o quanto tu és importante e querida na minha história.
    se a vida nos levou para caminhos diferentes... saiba que, sempre que olho para o passado, esboço um sorriso terno ao lembrar da nossa amizade!
    um grande beijo... espero poder te reencontrar em breve - para um delicioso bolo com geléia!

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  3. Que saudades de vc amiga querida...perco o sono e venho aqui ler um pouco, matar a saudade, lembrar do passado e tambem dar boas risadas...
    Outro dia, la pelas tantas perdi o sono e vim pra ca, ler um pouquinho...ri tanto que ate o Fe acordou querendo saber o que estava acontecendo de tao engracado....nada nao, sao so as coincidências!!!!Hehehe
    Adoro ler a sua Conversa Fiada.
    Bjo

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