domingo, 13 de fevereiro de 2011

Trote


Sou uma vítima constante de trotes telefônicos. Não posso nem reclamar porque deve ser uma prática da justiça mundana, aquela do "aqui se faz, aqui se paga". Fui uma criança arteira. Confesso que passei muito trote na vida, na época em que ainda não havia a tal da bina.

No porão da minha casa tinha uma saída telefônica que ninguém usava. À tarde, escapava pra lá com um velho aparelho de telefone verde, daqueles de discar, plugava ali e começava.

"Alô! A Ana está?" - Perguntava.
"Não, não é da casa da Ana". - Respondiam.

Eu então ligava mais umas duas ou três vezes para o mesmo número, perguntava a mesma coisa e ouvia a mesma resposta, de uma pessoa cada vez mais impaciente.

Por fim, ligava a última vez e dizia:

"Alô! Aqui é a Ana, deixaram algum recado pra mim?". Paft. Desligava.

O que me surpreende é que hoje em dia recebo trotes de adultos, isso é o que não entendo. Com conhecimento de causa, sei que passar trote é coisa de quem não tem o que fazer.

Tocou o meu celular à tarde e fui logo atender. Um homem perguntou: "Alô! Esse telefone não é do super-homem?".

É sim, seu palhaço, aqui é a Louis Lane. Quer deixar recado?

2 comentários:

  1. A propósito... dá uma olhadinha pela sacada e vem se tem um carro de gelo ali na frente, hehehehe

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  2. Nossa, cheguei a parar na polícia uma vez por causa de trotes...eu tinha uns 10 anos, foi péssimo! Nunca mais incomodei ninguém!

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