quarta-feira, 2 de março de 2011

Lá se foram dez anos


Dez anos se passaram. Que absurdo, nem vi! Você tem certeza de que eles foram nessa direção? Passaram mesmo debaixo do meu nariz? Parece que dormi aos vinte e acordei assim, completando trinta anos. Será que mordi uma maçã envenenada? Acho que não. A princesa não envelheceu.
Será que eu estive viajando então? Desculpe, não entendo. Sempre fui tão atenta. Não posso acreditar que deixei passar uma dessas. Dez anos. Agora posso contar a vida em décadas. Estou muito preocupada. Cadê a minha estabilidade? Malditos dez anos, passaram quietos porque ficaram me devendo! Só pode ser. Bom, ao menos também não fizeram muito estrago. A pele ainda está mais ou menos, está tudo quase no lugar.
O que devo começar a fazer? É, mentir a idade parece um início justo. Será que já está na hora de fazer umas luzes pra disfarçar os brancos? Sim, uma dieta será apropriada, dizem que o metabolismo muda... Vou aproveitar pra aumentar a barra da saia e colocar mangas nas blusas. Melhor esconder os pequenos (d)efeitos do tempo que acabei de notar. Amanhã de manhã vou correr. Quero me antecipar. Esse tempo pensa que me pega, mas na verdade ele me deixa. Temos dois caminhos: envelhecer ou morrer. Por enquanto estou na vantagem.

terça-feira, 1 de março de 2011

Arrumar as malas


Viajar é muito bom, mas caaaaansa. Sou um caracol. Adoro a minha concha e quando viajo a carrego junto. Principalmente porque na minha casquinha moram mais três (e um cachorro - =]), portanto, não consigo levar uma mala só. Soma-se o fato de morar longe e, de quebra, sair sempre pra passar um tempo maior fora.

Este será um ano de extensas viagens. Passeios, visitas, trabalhos. Bora levantar o acampamento. Já estou com saudades do meu canto. Sou também um pouco gato, acabo me apegando ao espaço. Gosto da liberdade de estar em casa. Quero dizer, gosto do meu lar, de fazer as coisas no meu tempo, do meu jeito. Gosto do perfume da casa, dos barulhos, do que tem no armário e na geladeira. Gosto das minhas toalhas, da minha cama, de ter as roupas no roupeiro e não reviradas na sacola.

Quando estou em casa, parece que vivo de férias. Não tenho hora pra comer, pra dormir ou pra fazer o que quero. Posso deixar a bagunça pra arrumar amanhã, os filhos à vontade e ter tudo o que preciso disponível. Tenho todos os meus livros ao alcance, posso escolher o programa da tv. Começo a preparar a bagagem com muito desânimo. Estou quase me arrastando. Não tenho opção desta vez. Estou me convertendo em andorinha, sigo a migrar com o meu pequeno bando. Litoral, aqui vamos nós!  

Descontrole



Em um dia de fúria, um sujeito de mal com o mundo resolve colocar em prática toda a sua falta de paciência, de respeito pelo ser humano e de bom-senso. Em uma única ação, decide descarregar toda a sua intolerância, incapaz de calcular as consequências para si e para os outros - que nada têm a ver com os seus problemas financeiros, amorosos, psiquiátricos, enfim.

Por um instante, um indivíduo qualquer assume do conforto do seu carro o risco de brincar com a vida alheia. A explosão covarde de seus impulsos hostis causa dor, medo, trauma e lesões diversas. Promove a revolta, a indignação pública. Então me pergunto: é possível encontrar uma explicação razoável? Eu adoraria, porém ainda não consegui nenhuma que me convencesse.

Fico a imaginar o adolescente que estava ao lado desse homem. O que teria ele pensado ou sentido? Como integrar um evento como esse na história daquele a quem chamamos de 'pai'? Não pode haver castigo maior do que o olhar de vergonha e reprovação de um filho, mas que a justiça se encarregue do resto.