sábado, 2 de abril de 2011

Formalidades


Ando avessa à formalidade. É. A verdade é que sou uma pessoa informal. Falo um português coloquial, uso gírias, engulo uns plurais, fico de pés descalços, prefiro roupas de algodão, saio de chinelo, trato todo mundo com educação, sem muitas distinções. 
Isso tem me causado um certo desconforto. Estou inserida em um ambiente acadêmico, que por natureza emana formalidades. Obviamente, estou acostumada a conviver com a maior parte delas, mas não me sinto à vontade para apresentar trabalhos em público. Passo semanas pesquisando, produzindo artigos, estudando. Chega o dia da apresentação, putz... que mau-humor! Fico irritada, estressada, incomodada. Não gosto de tablados, de bancadas, de microfones, de projetores, de câmeras. Gosto é de conversar em pequenos grupos, discutir ideias, compartilhar. Na prática, geralmente há apenas um pequeno grupo dentro do grande grupo que está ali pra prestar atenção mesmo. Não me interessa falar para quem não quer ouvir. Não me anima ficar exposta a duras críticas. É difícil para mim fazer cara de doutora, chamar a todos de 'senhores', manter a coluna ereta e eliminar o 'a gente' de qualquer ação sobre a qual eu esteja comentando. Essa é uma máscara deveras apertada de usar. Faz parte das durezas de ser quem não se é. Não soa natural. Tira-me a visão, a audição, a fala. A voz embarga, não sai direito. Esqueço metade do que deveria dizer. Viver de aparências não dá. Consome muita energia. Enquanto não tenho escolha, sigo fazendo banca. Affff...  

Um comentário:

  1. Esta música, além de ser quase uma trilha sonora pessoal, define bem a questão:

    The Logical Song
    Supertramp
    Composição : Roger Hodgson

    When I was young
    It seemed that life was so wonderful
    A miracle, oh it was beautiful, magical
    And all the birds in the trees
    Well they'd be singing so happily
    Oh joyfully, oh playfully watching me
    But then they sent me away
    To teach me how to be sensible
    Logical, oh responsible, practical
    And they showed me a world
    Where I could be so dependable
    Oh clinical, oh intellectual, cynical

    There are times when all the world's asleep
    The questions run too deep
    For such a simple man
    Won't you please, please tell me what we've learned
    I know it sounds absurd
    But please tell me who I am

    Now watch what you say
    Or they'll be calling you a radical
    A liberal, oh fanatical, criminal
    Oh won't you sign up your name
    We'd like to feel you're
    Acceptable, respectable, oh presentable, a vegetable

    At night when all the world's asleep
    The questions run soo deep
    For such a simple man
    Won't you please, please tell me what we've learned
    I know it sounds absurd
    But please tell me who I am, who I am, who I am, who I am

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