segunda-feira, 2 de maio de 2011

Blogs das amigas



Adoro ler os blogs das amigas. Respiro um frescor, recupero uma parte de mim que é pura leveza, desprendimento, juventude e liberdade. Volto no tempo. Sinto como se nada tivesse mudado, como se tudo tivesse voltado a ser como era há dez anos. 

Tenho andado com uma nuvem carregada sobre a cabeça. Ui, credo. Estou quase um fantasma velho e cansado a arrastar suas pesadas correntes pela casa vazia à noite, sem a capacidade de assustar ninguém. Não posso me render. O fato é que temos certas fases difíceis na vida e o escape mais acessível é a fantasia. Por outro lado, se esse é um recurso para alívio imediato, traz também seus efeitos negativos, como toda poção mágica. Ocorre que a fantasia é tão poderosa e pode ser tão fantástica - por isso mesmo tão distante das possibilidades reais - que um abismo se abre e a gente cai no buraco.

Saber que o mundo é um lugar incrível e pensar que não posso desfrutar de muitas de suas ofertas, especialmente as que mais me interessam, é absolutamente desconfortante. Sou daquelas pessoas com espírito livre. Preciso de espaço. Preciso navegar. Quando estou presa, por qualquer razão, meus pulmões não inflam. Manter âncoras é sacrificante demais. Gosto de renovação. Troco os móveis de lugar, mudo de casa, de trabalho, de ambientes sociais. 

Nessa fase da vida, estou presa ao universo acadêmico. Não tenho a disposição que gostaria, nem pra seguir e nem pra interromper o curso. Já pelo final, não posso desistir. Tenho filhos pequenos, que dependem inteiramente de mim e de meu marido. É um imenso e gratificante prazer estar com eles, mas preciso admitir que exige a renúncia de ser, ainda que temporariamente, a prioridade da minha própria vida. Afastada do trabalho formal, fico isolada em minhas pesquisas. Quase não vejo amigos, não saio para festas, não faço mais faxina com som alto, cantando, dançando e tomando cerveja sozinha.

Vivo viajando. Não sei onde estão meus pertences, não posso carregar tudo pra todo lugar. Sinto como se eu estivesse 'rolando', meio jogada. De vez em quando encontro pessoas ótimas, acordo de ótimo humor, vou à praia, curto o meu dia. Outras vezes, principalmente quando os prazos estão no limite e começo a ficar sob pressão, fico irritada, cansada, um tédio só. Juro que se a mente não fosse presa ao corpo eu já teria abandonado a minha carcaça e saído por aí. Penso que é só uma fase. Que vai passar. Que valerá a pena. Mas aí penso que se a felicidade tem de estar no caminho, então está tudo errado.

A gente se cobra demais. Lembro-me de um tempo em que a minha filosofia de vida resumia-se a uma frase: 'Permita-se'. Infelizmente, hoje não posso me permitir muita coisa. É a desvantagem de se ter algo a perder.

Agradeço o carinho e as experiências de minhas colegas e amigas que (re)encontrei pelo blog. Mulheres de verdade, que transformam suas vidas e lutam por aquilo que querem, movimentando a vida de muitas outras pessoas, inclusive a minha.

Andréa! Fabi! Vocês são uma inspiração e um ombro amigo que conforta e mostra o lado humano, diverso e engraçado da nossa existência. Grande abraço para vocês!  

3 comentários:

  1. Querida!! Faço de tuas palavras, minhas palavras. Eu também, muitas vezes, me sinto assim. E digo mais: cumprimento as pessoas com um sorriso no rosto, porque elas nao tem nada que ver com meu "mau humor". Nao deixa, NUNCA, de dançar sozinha! Se os pitocos estiverem dormindo, coloca um fone de ouvidos e da-le musica!! heheheh! TODAS nós passamos por isso, e as incertezas estao presentes por apenas uma razao: porque temos possibilidades. E nada melhor que ter possibilidades! Se os pitocos exigem agora atençao, mais tarde é tu que vais querer atençao deles!! Já diria minha mae! :) Beijo grande!!

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  2. as duas nem sabem... e nem tu... mas admiro muito as três. fuerza! tenho certeza que tu supera essa e tantas outras por vir. :)

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  3. Naminho,
    Lembro-me neste momento do filósofo Bruno de do "Mito da Montanha Russa", hehehehe. Infelizmente, para se alcançar alguma coisa hoje, o sacrifício aparece com mais força do que o prazer. Tirando a gradução, em que a coisa é mais light... desde o vestibular, pós, concurso, etc... tudo... que nos leva à busca de uma condição melhor nos exige. É a cruz que escolhemos carregar.
    No mais... não posso carregar a cruz por você, mas estarei sempre ao seu lado na caminhada.
    Te amo!

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