quinta-feira, 10 de maio de 2012

Nascer é para sempre

As pessoas dizem que morrer é para sempre, mas nascer também é. Todos os anos, o  nascimento é um evento que completa aniversário. No dia 13 de maio será o aniversário do nascimento do meu pai. Apesar da imensa dor pela sua ausência, continuo entendendo que essa deve ser uma data feliz e comemorativa. Com orgulho, meu pai merece o seu parabéns pela vida que teve, pela pessoa que foi, pela sua história que não deixará nunca de existir.
 A morte não me caiu bem, confesso com imenso pesar. É uma experiência surreal, que não consigo processar; vai além do que posso compreender. Antes de perder o meu pai eu achava que era capaz de imaginar a dor de perder uma pessoa amada, mas eu estava enganada. É muito mais difícil do que eu poderia supor. Tornei-me muito mais solidária à dor dos outros. Vejo agora que a dor da perda é vivida em silêncio - é um sofrimento eterno e solitário.
 Hoje olho para as pessoas que sei que perderam seus familiares com a compaixão de quem compartilha um segredo. Por fora, a vida parece igual: voltamos ao trabalho, cuidamos dos filhos, vamos ao cinema, fazemos as nossas atividades de rotina, falamos trivialidades. Voltamos até a sorrir. Mas guardamos intimamente a maior de todas as dores. A saudade se tornou uma companheira, que se esforça para preencher a falta. Entendo agora o quanto é bom estar por perto. Meu pai (como quase todos os pais...) sempre queria nos ter por perto. Ligava pra confirmar a nossa presença no tradicional churrasco de final de semana, ficava chateado se por qualquer razão não pudéssemos ir. E eu ficava brava. Afinal, às vezes eu (como quase todos os filhos...) queria fazer outras coisas. Nesse próximo domingo, juro que eu trocaria tudo para estar em casa com o meu pai. Certas experiências exercem sobre nós uma força transformadora.